No mundo implacável da Fórmula 1, onde cada segundo conta e cada decisão pode transformar o destino de uma equipa, as reclamações tornaram-se um verdadeiro desporto. Enquanto a Red Bull se destacou recentemente ao contestar a vitória de George Russell, a FIA decidiu endurecer as regras. Adeus à caução simbólica de 2000 euros, olá a montantes dissuasivos para limitar os abusos!

Uma polémica que não passa despercebida

Após a vitória de George Russell no Grande Prémio do Canadá 2025, a Red Bull apresentou uma reclamação contra o inglês. A equipa, ainda sob a liderança de Christian Horner, acusava Russell de uma travagem errática sob regime de carro de segurança. Segundo eles, isso obrigou Max Verstappen a ultrapassá-lo brevemente, e consideravam que o piloto tinha tentado inclinar a balança ao mencionar o incidente por rádio com o intuito de obter uma penalização para o seu rival. O pedido da Red Bull foi rejeitado, mas a pós-corrida transformou-se numa verdadeira sequência polémica.

A Mercedes e Russell viram com maus olhos esta reclamação, considerando que faltava fundamento. Para Russell, tratava-se de uma manobra de intimidação destinada a proteger Verstappen de uma eventual sanção. Ele então apelou a uma revisão do processo de apresentação de reclamações, denunciando a caução de 2000 euros como sendo demasiado baixa face aos interesses financeiros em jogo.

Sanções que fazem refletir

“Quando vemos as multas impostas por uma palavra mal colocada ou por ter tocado numa asa, 2000 euros para uma equipa que gera lucros de nove dígitos é ridículo!”, exclamou Russell. “Se essa quantia chegasse a seis dígitos, talvez pensassem duas vezes.” Palavras reveladoras que destacam o fosso entre os interesses financeiros das equipas e o custo das reclamações.

Algumas semanas após este incidente, a Comissão F1, que reúne todos os intervenientes do campeonato, decidiu que era tempo de rever as taxas de depósito para as reclamações. Embora nenhuma decisão tenha sido tomada nesse momento, o novo regulamento para 2026 trouxe uma resposta clara.

Montantes dissuasivos para evitar os efeitos de anúncio

A quantia de seis dígitos que Russell mencionou não foi considerada, mas a caução exigida para uma reclamação teve um aumento significativo. O regulamento desportivo, que anteriormente impunha 2000 euros, foi alterado para fixar a nova caução em 20 000 euros. Uma quantia que poderá fazer refletir as equipas antes de se lançarem em procedimentos duvidosos.

“As reclamações devem ser feitas de acordo com o [Código Desportivo Internacional] e o Regulamento Desportivo, e acompanhadas de um depósito de 20 000 euros”, estipula o novo artigo A7.6. Este último especifica que uma caução adicional pode ser exigida se a desmontagem ou remontagem de peças for necessária para levar a cabo a investigação.

O motorhome FIA no paddock

O motorhome FIA no paddock de Budapeste.

Esta medida deverá, portanto, travar os abusos enquanto permite que as reclamações legítimas sejam apresentadas. De facto, o Código Desportivo Internacional prevê um reembolso da quantia depositada se o fundamento da reclamação for reconhecido. “Esta caução só poderá ser reembolsada se o fundamento da reclamação tiver sido reconhecido”, recorda o artigo 13.4.3.

Um acesso ao direito de revisão mais restritivo

Em caso de penalização, as equipas podem solicitar uma revisão da sanção, desde que apresentem novos elementos dos quais os comissários de corrida não tinham conhecimento no momento da sua decisão. No entanto, este acesso ao direito de revisão também foi endurecido: a caução passou agora de 2000 para 20 000 euros.

No que diz respeito aos apelos, uma quantia não reembolsável foi fixada em 5000 euros, acompanhada de uma caução de 20 000 euros, reembolsável se o procedimento for justificado. Anteriormente, era exigido um depósito de 6000 euros. Esta nova medida visa evitar os efeitos de anúncio, incentivando assim as equipas a interpor apelo apenas se considerarem ter argumentos sólidos.

Um futuro menos sujeito a abusos?

Estas mudanças no regulamento poderão marcar uma viragem na forma como as reclamações são geridas na Fórmula 1. Ao tornar o processo mais dispendioso e mais restritivo, a FIA espera reduzir os pedidos considerados abusivos. Isso poderá também incentivar as equipas a concentrar-se na performance na pista em vez de em manobras administrativas que podem, por vezes, parecer mais um jogo de xadrez do que desporto automóvel.

À medida que a temporada de 2026 se aproxima a passos largos, estaremos atentos para ver se estas novas regras terão realmente o efeito desejado ou se suscitarão novas controvérsias. A Fórmula 1 é um teatro onde cada ato é escrutinado, e é certo que as equipas continuarão a procurar explorar as falhas do sistema a seu favor.

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