Quando pensamos na Citroën, muitas vezes imaginamos sedãs elegantes ou modelos icônicos como a DS. Mas em 1983, um engenheiro apaixonado decidiu quebrar os padrões com o CX Orphée Cabriolet, uma criação que poderia deixar qualquer designer contemporâneo com inveja. Imagine por um instante um maestro no meio de um concerto de rock: é exatamente esse tipo de loucura suave que presidiu o nascimento deste carro.

Um sonho tornado realidade

Na origem deste automóvel inusitado está Guy Deslandes, um engenheiro fanático pela Citroën. Seu sonho? Conceber um CX conversível de quatro lugares, um projeto ambicioso que poderia fazer qualquer arquiteto automotivo recuar diante dos desafios técnicos. Deslandes não se deixou desencorajar pelas recusas dos carroceiros tradicionais, como Heuliez, que não se sentia à altura, e Chapron, que propôs um preço exorbitante. Não, ele decidiu agir e criar sua própria obra-prima.

Depois de reunir uma pequena equipe para ajudá-lo em sua busca, Deslandes revelou um protótipo do CX Orphée durante os salões de Genebra e Paris em 1984. Trata-se de um carro branco com interior em couro vermelho, que não deixou de atrair olhares. A Citroën, embora pouco entusiasmada com a ideia de ver seu modelo principal transformado em conversível, não pôde impedir o irredutível Deslandes de levar seu projeto adiante.

Esta fotografia testemunha o caráter único do Orphée: vemos o design atípico e o cuidado com os detalhes. As linhas fluidas e a silhueta esguia lembram os carros de luxo de uma época em que a ousadia era rainha.

Modificações ousadas

Para realizar sua visão, Deslandes teve que enfrentar vários desafios técnicos. O modelo final apresentava uma traseira em poliéster reforçado (GRP), uma decisão ousada que lhe permitia ganhar em leveza e manobrabilidade. No entanto, o primeiro carro foi totalmente concebido em metal, o que é bastante raro no mundo dos conversíveis.

Ele também teve que alongar as portas em 11 cm para permitir um acesso confortável aos assentos traseiros. Para isso, colaborou com a Saint-Gobain para projetar janelas sob medida e moveu o pilar B para dar ao carro uma aparência harmoniosa. É um pouco como se você estivesse tentando adaptar uma peça de um quebra-cabeça sem saber onde ela deve ir — um desafio que poderia desencorajar o mais resistente dos artesãos.

Foto de um Citroën CX conversível de 1983 com o teto abaixado

Nesta imagem, podemos apreciar o painel de instrumentos com design refinado, adornado com um conta-giros Jaeger típico dos anos 80. Os cinco mostradores adicionam um toque vintage que encantará os entusiastas.

Uma raridade sobre rodas

No total, apenas quatro exemplares do CX Orphée foram fabricados, todos baseados no motor 2.3 litros GTI. Isso o torna uma verdadeira peça de coleção para os amantes de automóveis excêntricos. A produção foi interrompida após alguns anos, quando Deslandes decidiu se retirar dessa aventura tão fascinante quanto exaustiva. É bem provável que o CX Avrilly coupé, uma variante criada pouco depois, não tenha sobrevivido ao passar do tempo.

É verdade que um conversível de quatro portas é um desafio mais complexo do que um de duas portas clássicas, mas Deslandes parecia ter uma aversão à simplicidade. Sua determinação e criatividade lhe permitiram dar vida a um dos Citroën mais estranhos já produzidos — e acredite, isso não quer dizer muito no universo já excêntrico da Citroën.

Aqui, temos uma visão do perfil elegante do veículo. A silhueta aerodinâmica testemunha o espírito vanguardista que anima esta criação singular. Entendemos melhor por que este modelo continua a fascinar os entusiastas hoje.

O legado de uma época

A Citroën CX Orphée é mais do que um simples carro; é um símbolo da ousadia e da inovação francesa. Em uma época em que os fabricantes muitas vezes se contentavam em seguir tendências estabelecidas, Deslandes escolheu ousar e sonhar grande. E mesmo que a produção tenha sido limitada, seu impacto no mundo automotivo é inegável.

Pensemos por um instante: quantos outros modelos podem se gabar de ter suscitado tantas interrogações e maravilhas? O CX Orphée é a expressão máxima de uma época em que cada curva era cuidadosamente pensada, cada detalhe minuciosamente realizado.

Esta vista traseira mostra bem o trabalho meticuloso realizado por Deslandes e sua equipe. A harmonia entre o estilo retrô e a ousadia contemporânea torna este modelo simplesmente inesquecível.

Balanço: uma curiosidade a ser apreciada

Em suma, o Citroën CX Orphée Cabriolet é uma obra de arte automotiva que merece ser celebrada. Se você é um apaixonado por automóveis antigos ou simplesmente curioso sobre criações inusitadas, este exemplar lembra que, às vezes, é melhor sair dos caminhos tradicionais para descobrir tesouros escondidos. Se você tiver a sorte de cruzar com um em seu caminho, saiba que está diante de um pedaço da história que certamente despertará sua sensibilidade estética.

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