Dez anos após a sua aventura tumultuosa com a McLaren e a Honda, Fernando Alonso encontra-se mergulhado num novo capítulo complicado com a Aston Martin e o mesmo motor. As promessas de uma colaboração frutífera parecem desvanecer-se face a problemas técnicos recorrentes. Que lições o espanhol tira desta situação delicada?
Um regresso perturbador
Difícil não ver no novo episódio da carreira de Fernando Alonso uma outra ironia da história. Uma dezena de anos após a sequência calamidosa do regresso da Honda à F1 com a McLaren, o espanhol parece reviver uma situação semelhante, novamente com o motor japonês. Este período de vacas magras parecia, no entanto, estar para trás da Honda, que celebrou vários títulos mundiais ao lado de Max Verstappen e da Red Bull entre 2021 e 2024.
Mas a realidade dos bastidores é bem diferente. Após o anúncio oficial da sua saída da F1 para o final de 2021, a Honda fez marcha-atrás ao continuar a fornecer unidades de potência às equipas da Red Bull. No entanto, esta decisão teve consequências internas: o desmantelamento parcial do departamento de motores, levando à saída ou reatribuição de uma grande parte dos empregados.
Uma nova era cheia de incertezas
Com o anúncio da regulamentação de motores para o futuro em 2026, a Honda revelou o seu desejo de reintegrar a disciplina rainha. Quando o acordo com a Aston Martin foi anunciado a meio de 2023, a equipa não estava ciente das profundas transformações que o departamento de motores japonês estava a sofrer. As expectativas eram altas, mas os resultados não acompanharam.
Alonso, que se juntou à Aston Martin em 2023, observou uma evolução significativa dentro da equipa. As instalações modernizaram-se, e a chegada de Adrian Newey a um cargo chave suscitou esperanças. No entanto, as performances na pista não estão à altura. A situação atual deixa entrever uma Aston Martin nem fiável nem competitiva, enquanto o motor Honda está no centro de vários problemas técnicos, incluindo vibrações que perturbaram os testes de inverno e o início da temporada.
Alonso face aos desafios: “Não é tão difícil”
Como é que o antigo bicampeão do mundo vive esta situação? Em conferência de imprensa na China, ele declarou: “Não é tão difícil como se poderia pensar. Quero dizer, não é o ideal. Todos nós queremos ganhar. Somos 22 pilotos este ano. Apenas um vai ganhar, os 21 restantes vão encontrar-se num estado de espírito difícil e desgastante.”
Para Alonso, terminar em terceiro ou décimo sétimo, é afinal a mesma dor: “Tive a sorte de ter carros competitivos durante metade da minha carreira e de conseguir mais de 100 pódios. Portanto, agora, como disse, terminar em qualquer outra posição que não a primeira, para mim, é o mesmo sofrimento.”
Ele permanece, no entanto, comprometido com a sua equipa: “É o primeiro ano desta colaboração entre a Aston Martin e a Honda e temos de atravessar este período difícil.”
Memórias amargas: McLaren-Honda

Fernando Alonso ao volante da McLaren MP4-30 durante o GP do Japão 2015.
Nesta segunda parte da carreira, alguns já qualificam as suas escolhas de oportunistas. Para ele, esta situação recorda estranhamente o seu passado com a McLaren: “Sinto que vejo as coisas sob uma perspectiva diferente e com uma maturidade diferente.”
Ele menciona também as críticas que recebeu na altura: “Quando você ganha vários campeonatos lutando contra o seu colega de equipa, você é Deus; quando atravessa um período difícil, tudo é amplificado.”
Alonso não deixa de recordar memórias desagradáveis, incluindo uma famosa mensagem de rádio durante o GP do Japão de 2015: “Motor de GP2, motor de GP2.” Na altura, ele enfrentava um motor Honda pouco competitivo que não lhe permitia expressar o seu talento.
Rumo a um futuro incerto
Ele conclui mencionando os progressos realizados desde então: “Hoje, posso trabalhar mais arduamente para ajudar a Honda o máximo possível.” A integração dos dados disponíveis em Fórmula 1 permitiria alocar recursos para resolver estes problemas recorrentes.
No entanto, ele permanece lúcido sobre a situação atual: “Os começos são difíceis. Espero que isso não dure muito tempo.” Alonso parece consciente de que as soluções imediatas são raras na Fórmula 1.
Em resumo
- Alonso revive uma situação complexa com Aston Martin-Honda.
- Os problemas técnicos recordam as dificuldades passadas com a McLaren.
- O motor Honda sofre de vibrações que perturbam as performances.
- Alonso permanece otimista apesar dos desafios enfrentados.
- A integração dos dados poderia melhorar a situação a curto prazo.



