McLaren apela a mudanças urgentes para a segurança na F1

O chefe da McLaren, Andrea Stella, soa o alarme sobre problemas de segurança relacionados com as novas unidades de potência da Fórmula 1. À medida que os monolugares integram uma parte elétrica de quase 50%, os desafios multiplicam-se na grelha. Os ajustes são imperativos para garantir um espetáculo emocionante enquanto se preserva a segurança dos pilotos.

Arranques complexos: um desafio para os pilotos

Desde a introdução das novas unidades de potência, o arranque dos monolugares tornou-se um verdadeiro quebra-cabeças. Com um motor V6 térmico que deve ativar o turbo, os pilotos encontram-se a manter o pé no acelerador durante mais de dez segundos para alcançar o nível de sobrealimentação necessário. Imagine-se na linha de partida, com o coração a bater, enquanto cada segundo conta: um leve erro de tempo pode resultar numa partida falhada, como viveu Franco Colapinto durante os testes em Barém.

Além disso, os carros colocados no fundo da grelha demoram uma eternidade a posicionar-se, não lhes deixando por vezes nem os dez segundos necessários para preparar corretamente o turbo. É um pouco como se estivesse a tentar iniciar uma corrida com um motor que engasga. A tensão aumenta, e basta uma faísca para que um incidente ocorra.

Uma gestão de energia delicada

Outro ponto levantado por Stella é a necessidade de levantar o pé no final da reta para economizar energia. Isso cria um perigo potencial com carros lançados a toda velocidade logo atrás. Imagine uma cobra venenosa pronta a atacar: a velocidade de aproximação pode tornar-se letal se o piloto à frente ficar sem energia. Em Barém, onde os circuitos não são particularmente exigentes em termos de recuperação de energia, as dificuldades podem acentuar-se em traçados mais difíceis.

Com uma autonomia limitada e baterias que se esgotam rapidamente, as possibilidades de ultrapassagem tornam-se raras. Neste momento, sem um sistema semelhante ao DRS, torna-se quase impossível realizar manobras audaciosas. A F1 também é espetáculo, e sem ultrapassagens, perde-se o que faz vibrar os fãs.

Em direção a medidas de última hora?

McLaren apela a mudanças urgentes para a segurança na F1

Lewis Hamilton e Isack Hadjar durante os testes em Barém.

Andrea Stella, portanto, apelou a todos os intervenientes da disciplina para agir rapidamente. A Comissão F1 reunirá em breve para discutir possíveis modificações antes do Grande Prémio da Austrália. “Não estamos a falar de desempenho em qualificações ou ritmo de corrida. Estamos a falar de segurança na grelha”, insistiu. Parece evidente que a segurança deve prevalecer sobre qualquer consideração competitiva.

As ultrapassagens, já complicadas pela ausência de DRS e pela chegada da aerodinâmica ativa, necessitam de uma reflexão aprofundada. “O DRS oferecia uma vantagem em termos de arrasto aerodinâmico para o carro que seguia”, explicou Stella. Agora, seguir um adversário já não oferece grandes vantagens, tornando cada tentativa de ultrapassagem tão difícil quanto uma maratona sob um calor abrasador.

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Os pilotos durante os testes de arranque em Barém.

O modo “boost” implementado não compensa suficientemente a ausência de DRS, pois os carros muitas vezes carecem de energia a explorar. Uma redução da potência elétrica máxima permitida em corrida poderia ser considerada para atrasar o esgotamento da energia e tornar o modo boost realmente eficaz. É um pouco como se tivesse um carro com um motor sobredimensionado mas sem gasolina: isso não serve para nada.

Incidentes a evitar a todo custo

Outro assunto sensível levantado por Andrea Stella diz respeito à redução do recurso às técnicas de “lift and coast”. Com as velocidades de aproximação muito elevadas entre monolugares, os riscos de acidentes aumentam. Lembre-se do looping espetacular de Mark Webber em Valência em 2010. Este tipo de incidente é o que se quer evitar a todo custo.

“Não é uma situação ideal quando se segue de perto”, alertou Stella, acrescentando que este fenómeno poderia levar a cenários perigosos. Ao modificar a regulamentação em torno do “superclipping”, onde os carros recuperam energia enquanto permanecem a plena carga, seria possível aumentar a segurança enquanto se oferece mais potência aos monolugares.

McLaren apela a mudanças urgentes para a segurança na F1

A carcaça da Red Bull de Mark Webber após o seu acidente em Valência.

Stella resumiu a situação em três pontos simples: arranques, ultrapassagens e limitar o lift and coast. “Essas soluções técnicas simples existem e serão discutidas na próxima Comissão F1. É imperativo”, declarou. É tempo de a comunidade F1 chegar a um consenso sobre estas questões cruciais para o bem-estar dos pilotos e o futuro do desporto.

Resta saber se todas as equipas conseguirão chegar a um consenso durante esta reunião. A FIA tem o poder de impor mudanças por razões de segurança, mas é preferível que esses ajustes sejam aceites por todos para evitar qualquer tensão na grelha.

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