Na França, um novo campo de batalha invisível aos olhos dos automobilistas se desenha em torno das estações de recarga de veículos elétricos: o roubo de cobre. Enquanto o metal vermelho dispara nos mercados globais, alcançando mais de 12.000 $ por tonelada, ele se torna o alvo privilegiado de criminosos em busca de lucro rápido.
O cobre, um tesouro escondido
O cobre está onipresente em nossas infraestruturas elétricas. Condutor ideal, ele alimenta os cabos e componentes das estações de recarga, que transformam a energia da rede para abastecer nossos carros elétricos. Este metal precioso, frequentemente dissimulado sob uma capa isolante, atrai os ladrões como uma mariposa em direção à luz. Mesmo que a quantidade de cobre recuperável em um cabo de recarga seja limitada, a revenda desse metal continua sendo uma forte motivação econômica para alguns criminosos.
As estações de recarga, estejam elas instaladas em um estacionamento municipal, em uma área comercial ou em uma área de rodovia, contêm cabos e componentes de cobre facilmente acessíveis sem segurança reforçada. A situação é alarmante: esses atos de vandalismo estão em forte crescimento em vários departamentos, como em Seine-et-Marne ou no Norte, e agora são relatados “regularmente” pelos operadores e representantes profissionais.
O custo para substituir um cabo roubado ou cortado pode rapidamente aumentar. Segundo operadores, ele pode variar entre 1.500 € e 4.000 € por cabo, sem contar o impacto na operação e a indisponibilidade da estação. Em uma estação com quatro pontos de recarga, o prejuízo pode chegar de 12.000 € a 32.000 € ou mais. Esses números alimentam a frustração dos usuários que, ao se depararem com um ponto de carga, às vezes descobrem uma estação fora de serviço por falta de cabo.
Redes organizadas
Esse tipo de roubo se insere em um contexto mais amplo: na França, os roubos de cobre afetam muitas infraestruturas, desde linhas de telecomunicações até iluminação pública, e aumentaram nos últimos anos, impulsionados por um preço elevado do metal e por redes de revenda informais. O fenômeno se tornou tão preocupante que não se trata mais de indivíduos isolados, mas sim de redes organizadas.
Essas redes não se contentam com um golpe de estilete. Elas se equipam com ferramentas sofisticadas para cortar rapidamente os cabos e sair com várias dezenas de quilos de cobre. Com uma organização desse tipo, o risco de serem pegos diminui consideravelmente para esses ladrões profissionais.
A França se destaca como um dos países europeus mais equipados em infraestruturas de recarga. Segundo os últimos barômetros, o país contava com mais de 184.000 pontos de recarga públicos no final de novembro de 2025, distribuídos em várias dezenas de milhares de estações acessíveis aos usuários. Infelizmente, essa malha em plena expansão, destinada a acompanhar o crescimento da mobilidade elétrica, oferece mais alvos potenciais para os ladrões de cobre.
Soluções frente à ameaça
Diante dessa situação preocupante, os operadores e as comunidades estão multiplicando iniciativas para combater esses roubos. Reforço das proteções mecânicas dos cabos, instalação de alarmes, câmeras inteligentes, ou até mesmo o uso de materiais alternativos para tornar os componentes menos atraentes: todos os meios são válidos para proteger essa infraestrutura crucial.
Algumas experimentações visam tornar o acesso direto ao cobre mais difícil, priorizando capas reforçadas ou sistemas de bloqueio integrados às estações. O objetivo é claro: garantir a segurança desses pontos de carga e proporcionar uma experiência do usuário ideal. Pois a transição energética depende de uma rede de recarga confiável e disponível para todos.
Um desafio econômico e social
Esses atos de vandalismo não são apenas um incômodo; eles também têm um impacto econômico significativo. Os custos gerados pela substituição dos cabos roubados e pela indisponibilidade das estações podem frear o crescimento da mobilidade elétrica. Os usuários, já enfrentando desafios em termos de autonomia e infraestrutura, se deparam com estações fora de serviço, aumentando sua frustração.
A situação levanta questões cruciais: como garantir a segurança dessas instalações essenciais para o futuro da mobilidade elétrica? Como conciliar desenvolvimento sustentável e proteção das infraestruturas? A resposta pode residir em uma combinação de inovações tecnológicas e uma melhor conscientização dos usuários. Afinal, se queremos avançar em direção a um futuro elétrico, também precisamos preservar nossos recursos.
Rumo a uma conscientização coletiva
É hora de todos os atores envolvidos — governos, comunidades locais, empresas e usuários — tomarem consciência do desafio que representam esses roubos de cobre. A luta contra essa criminalidade deve ser coletiva e proativa. Campanhas de conscientização também poderiam ajudar a informar o público em geral sobre a importância de relatar qualquer atividade suspeita ao redor das estações de recarga.
Enquanto isso, resta apenas esperar que as medidas implementadas deem frutos e que esses atos de vandalismo se tornem uma coisa do passado. Pois, nesta corrida em direção a uma mobilidade sustentável, cada estação conta — literalmente.
