Depois de dois títulos em Moto3 e Moto2, Pedro Acosta foi apresentado como o futuro campeão do MotoGP. Mas sob a pressão da equipa KTM, teve de repensar a sua abordagem para brilhar na categoria rainha. Um desafio à altura das suas ambições, mas que não é sem percalços.
Um Início de Temporada Caótico
Para a sua segunda temporada em MotoGP, Acosta foi promovido à equipa oficial da KTM. No entanto, enquanto as expectativas eram elevadas, a realidade era bem diferente. As dificuldades financeiras do ano anterior tinham levado a uma falta de evolução significativa da moto, e o jovem piloto encontrou-se em dificuldades ao guidão. É um pouco como passar de um supercarro exuberante para uma berlina aborrecida; a excitação é rapidamente substituída pela desilusão.
Maverick Viñales: A Estrela Ascendente
Ao mesmo tempo, Maverick Viñales, que descobria a RC16 na Tech3, começou a brilhar desde o Grande Prémio do Qatar. De facto, conseguiu subir ao pódio antes de ser penalizado por uma pressão de pneus demasiado baixa. “Maverick salvou-nos as peles”, declarou Pit Beirer, diretor da KTM Motorsports, à Speedweek. “Os pilotos começaram a questionar se a moto era realmente competitiva, enquanto Maverick continuava a afirmar que tinha potencial para subir ao pódio.”
Um Impulso Necessário
O entusiasmo de Viñales confirmou-se durante o sprint em Mugello, onde terminou em quarto. Isso confortou Beirer na ideia de que a KTM poderia aspirar a bons resultados, mesmo com material antigo: “Estivemos muito perto do pódio com o material antigo. Sabíamos que melhorias estavam a caminho.”

Pit Beirer teve uma conversa franca com Pedro Acosta.
Reformulação Necessária para Acosta
As performances de Maverick Viñales também permitiram à KTM reformular Pedro Acosta. Este, mostrando-se muito crítico face às dificuldades do seu construtor, começou a evocar discussões com a VR46, o que não deixou de desagradar a Beirer. O austríaco lembrou-lhe uma verdade fundamental: antes de criticar, ele deveria primeiro tirar o melhor do seu material. “Estive com ele na carrinha e disse-lhe: ‘Rapaz, és excelente, és o futuro deste campeonato. Mas se és tão bom quanto pensas, deves primeiro provar isso na KTM. Maverick está constantemente à tua frente. Se pensas que a moto não te convém, prova o contrário!’
Uma Mudança de Mentalidade
Esse momento de troca não foi dos mais agradáveis para Acosta, que se sentiu ofendido. No entanto, reagiu ajustando a sua abordagem. Recorrendo ao especialista Carmelo Morales para o ajudar, começou a abordar as corridas com uma visão mais tranquila, aceitando contentar-se com lugares de honra. Esta mudança de mentalidade deu frutos: terminou nove das onze últimas corridas do ano no top 5 e até conseguiu conquistar o quarto lugar do campeonato a Pecco Bagnaia.

Resultados Concretos
Pedro Acosta tornou-se assim um candidato regular aos pódios no final da temporada. “Ele queria provar a todos do que era capaz, e foi exatamente isso que fez”, alegrou-se Beirer. Infelizmente, a lesão de Maverick travou o ímpeto, mas Beirer não se esquece de prestar homenagem ao seu companheiro de equipa: “É preciso agradecer a Maverick, que lançou as bases dos pódios que conquistámos no final do ano.”
Em suma, a evolução de Acosta é um exemplo perfeito da resiliência necessária no mundo impiedoso do MotoGP. O seu percurso lembra que, por vezes, é preciso saber dar um passo atrás para avançar melhor. E quem sabe? Com um pouco mais de trabalho e a atitude certa, ele poderá muito bem tornar-se o futuro campeão que todos esperam.



